crítica

MANK

DAVID FINCHER, 2020

É muito difícil estar preparado para “Mank.” Com todo o respeito por “A Rede Social” (2010), David Fincher bem podia esquecer tudo o que já fez até aqui e morrer feliz pelo testemunho deixado. O argumento vem assinado pelo pai, Jack Fincher, e traz um selo de maturidade como nunca encontrei em cinema. No entanto, pede um envolvimento maior por parte do espectador.

“Mank” é o abrir da última garrafa de whisky de Herman J. Mankiewicz (Gary Oldman) durante a escrita do guião de “O Mundo a Seus Pés” (1941), cujo crédito acabou repartido com o realizador da obra, Orson Welles (Tom Burke). Fincher leva a audácia para mais longe do que nunca quando imprime no filme crítica, seja à indústria cinematográfica manuseada por figuras como Louis B. Mayer (Arliss Howard), seja ao ego do protagonista, que teima em não abandonar o ecrã.

O alcoolismo de Mankiewicz é não só o que alimenta o tal ego, mas também a desculpa perfeita para “Mank” funcionar. O problema é mesmo a idiossincrasia que permite que fiquemos do lado dele no jogo político que pelas duas horas do filme joga contra todos, concentrados na pessoa de William Randolph Hearst (Charles Dance), o magnata escondido em “O Mundo a Seus Pés”. Pelo caminho, deixem-se encantar por Amanda Seyfried, reinventada por David Fincher após anos de uma gestão de carreira no mínimo duvidosa, ou então de uma estranha falta de oportunidades. E como na vida de um homem não há só uma mulher, “Mank” proporciona a abertura ideal para Lily Collins se lançar aos grandes.

Creio que o filme vai passar ao lado do que o destino lhe deveria reservar, mas já estamos habituados. Afinal, “isso, meus caros, é Hollywood.”
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Miguel Mesquita Montes

Miguel Mesquita Montes

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