II | XCIX OUTRO RENASCIMENTO

POESIA RUI SOBRAL IIXCIX outro renascimento histórias de virgindadena central dos autocarrosnos bancos da cidadenas esplanadas hoje nuasna relva onde comemoscoisas tuas; coisas nossasnas mochilas da escolae tantos sonhos vivemostantos pães na relva comemostanto amor, tantas promessastantas lágrimas e ciúmestantas origens desconhecidastodas vindas do estômagoo amor não foi suficiente, amore hoje olho-tee desejo-te com a […]

EIS QUE UM DEUS IRREMEDIÁVEL DESVENDA OS SEUS PLANOS

Crâne de squelette fumant une cigarette, by Vincent Van Gogh, 1888 POESIA EIS QUE UM DEUS IRREMEDIÁVEL DESVENDA OS SEUS PLANOS ANTÓNIO FOJO Eis que um Deus irremediável desvenda os seus planos a prova não é um tormento honroso à escatologia é uma castanha meia verde enrolada na língua “Meu Deus” mas a castanha agora […]

IRÁS SEMPRE CRUZAR A MESMA RUA

Fotografia de Fabian Fauth POESIA IRÁS SEMPRE CRUZAR A MESMA RUA TIAGO MARCOS Irás sempre cruzar a mesma ruaNo caminho que é pensarE terás os pés doídos pelas pedrasMas não pares.Sei, só no espaço guardado para a esperança,Que uma manhã nova viráE todo o pó que o caminho temSerá soprado por um vento novoUm vento […]

A UVA NÃO UIVOU

On The Vine, Darice Machel McGuire POESIA A UVA NÃO UIVOU SARA MARTINS Há tempo em que a terra uiva, Lavrando bocas entre bocejos. Ainda a terra não acabou de bocejar-te, E já as parras, em ninhos, murcham-se. Ainda nem as uvas se deixam ver, E já a terra uiva de dentro do ninho. Ou […]

EXERCÍCIO DE MORRER II

POESIA exercício de morrer ii LÍVIA PELLEGRINI Fazercontigo escansões no tempo Reconhecendo-teao transcorrer do rio instante por instante e sempre do cantochão às alturasa voz Inscrevendod e v a g a r i n h o nossa fatia de brisanossa cadência de amor. Share on facebook Share on twitter Share on linkedin Share on pinterest […]

DERRETEM-SE AS MÃOS NAS MEMÓRIAS

Melting Watch, Salvador Dali, 1954 POESIA DERRETEM-SE AS MÃOS NAS MEMÓRIAS SARA MARTINS Derretem-se as mãos nas memórias,Que ao fogo ficaram e acabaram por se fazer. Estendem-se os braços para além daquilo que se é, Enquanto as horas fogem em passos líquidos, Como se procurassem um gesto que não é meu.  Se todas as coisas […]

A CARTA QUE OPHELIA ACABOU POR ENVIAR

Fernando Pessoa, pintura de António Faria POESIA A CARTA QUE OPHELIA ACABOU POR ENVIAR LIA CACHIM Meu querido Fernando,tomara eu ser querida tua como tu és meupara poder tocar-te quando te vejonas raras vezes em que te vejoque na verdade são as raras vezes em que me vês a mim Mas o teu olhar trespassa-me, […]

A POESIA DAS COISAS

POESIA SONHO – VI NUNO MINA Ver tudo menos aquilo que se vê. Uma magia de pôr um sorriso nos lábios, Por ver numa gota de chuva, Num olhar, Num vento, Algo mais do que aquilo que é. A poesia das coisas está em nós. Negar-nos é retirar brilho a um mundo Que é muito […]

DA BOCA FIZ UMA GAIOLA ABERTA

POESIA DA BOCA FIZ UMA GAIOLA ABERTA SARA MARTINS Da boca fiz uma gaiola aberta,Tenho-a cheia de pássaros a picar-me por dentro. A sede das penas a romperem-me a carne,Cegou-me a inocência cristalizada nos olhos. Quantos mais pássaros, mais dentes,Quantos mais dentes, menos pássaros. E porque lhes mastigo os ossos,O âmago escorre pelas minhas mãos. […]

NÃO TE DÊS AO TRABALHO DE FOTOGRAFAR MEIA RUA

POESIA NÃO TE DÊS AO TRABALHO DE FOTOGRAFAR MEIA RUA BRUNO FIDALGO DE SOUSA não te pedi para guardares a minha imagem. tantoque não a quis sequer lembrar no espelho eafastei-me do mar e do reflexo dos vidros.deixei de conduzir eesforcei-me para me afastar das montras ondetelevisões não estariam ligadas24 sobre 7e o material refletor […]

QUEM ME DERA MORRER

POESIA QUEM ME DERA MORRER RUI SOBRAL quem me dera morrerquem me deramorreragoracom as mãos sujas de tintajá seca nas extremidadesainda húmida entre os dedosazul vermelho por todo o ladoisso faria de mim escritor dotadoaté ao último suspiro a escrevera azul vermelho preto tambémo nervo ulnar ainda a baterdas veias mais tinta a rebentarainda mais […]

SONHO – V

Interchange, Willem de Kooning, 1955 POESIA SONHO – V NUNO MINA Engana-se um poetaComo se manipula uma criança. Basta uma folha em brancoPara ainda haver esperançaDe dar cor(da) aos sonhos,Medonhos, como o fadoAprisionado em que levaA sua vida enganada. Cria mundos, cria-se.E tinta basta escorrerPara que Ele nunca se percaE se derrame em sangue. Vai […]

efeito kahlo kuleshov

Tramonto sul mare, Pierre-Auguste Renoir, 1879 eNSAIO – PROSA – OPINIÃO efeito kahlo kuleshov calí boreaz estou imóvelsuspeito que me tornei um quadrocom debrum de areia   pequenas conchase pontas de cigarroà minha beira está o mar em marçoele desatentamente cospe nos meus pés. e atravésde mim desamarro o vendaval morse/ não escutes. ainda estou […]

TESOUROS

POESIA TESOUROS LÍVIA PELLEGRINI Das voltas que o mundo dáencontro em cheiocom o ponto de partida Entre sonhos, visitas eespelhosA notória presença da falta Não esqueçamos, prezados insurgentes!que o vazio é o que permiteo movimentodas partículas O que não pode faltarespecialmente pela manhã –é o café. Sem título, Pedro Santos Share on facebook Share on […]

DILÚVIO

DILÚVIO, por Mariana Cordeiro

poesia dilúvio BRUNO FIDALGO DE SOUSA um dilúvio é a única catástrofeinconcebível pela atualidade. sabem-seser reais as ondas, o espreguiçar da Terra,mas ainda se duvida das nuvens. ainda se crêna metafísica, na fé, na tísica, no dormir de pé. ainda não se afinou a pontaria. há embarcaçõesque cheguem para suportar quem reste – quemsabe flutuar. […]