I | LXXXVII SOFIA

POESIA RUI SOBRAL ILXXXVII sofia bielabielaó biela Share on facebook Share on twitter Share on linkedin Share on pinterest Share on pocket PARTILHAR

I | XCVI NOITES DE ALVORADA EM MIM

Vincent van Gogh – Cafe Terrace at Night (1888) POESIA RUI SOBRAL IXCVI noites de alvorada em mim nunca houve uma noite sequerem que nenhum medo me assaltassetodas foram alvorada dentro da minha paztodas nuas, malditas noites em mime resta-me a voz dos dias luminososque me abraçam inteiro e fazem correr vestido de esperançapelas beiras […]

PORVENTURA

POESIA PORVENTURA BRUNO FIDALGO DE SOUSA se, porventura, não vos for possível ler este poema, tudo temam. ninguém precisa de um lápis da cor do mar ensonado. dessa grafite que enfeita as linhas tortas da maré. um marcador fluorescente sobre todas as obras inapropriadas. todas as palavras sublinhadas pelo atentado à família, à fé, ao […]

III | XX SEM SABER AMOR

POESIA RUI SOBRAL IIIXX sem saber amor de papel na mão às tantas sozinhoperdido à noite perdido no caminhonaquele em que eu me tornei sónaquele em que em ti vivi para semprede papel à noite na mão feridaencontrei tinta nossa tinta nossa perdidarespirei ao relento flores tuas, amorlá longe no vento amores nossos, queridalá longe, […]

III | XII ECO À SALIVA TUA

POEMA RUI SOBRAL IIIXII eco à saliva tua apareceste-me de noitegritar não conseguiaera vazia a minha vozo eco quente que se faziaperdido agoraperdido antesperdido sempreoh, sorte, sorte minhaoh, amante, amante minhavestida de fome engolistea salivaminha, saliva tuaminhatuatão tua Woman II, Willem de Kooning ,1952 Share on facebook Share on twitter Share on linkedin Share on […]

III | VI TRISTE CLAU MINHA

POESIA RUI SOBRAL III VI triste clau minha sentistes amastes não fales assim sentiste, é assim amaste, é assim nunca digo sentistes nunca digo amastes quem o diz é o coração que não tem papas na língua Share on facebook Share on twitter Share on linkedin Share on pinterest Share on pocket PARTILHAR

II | XCVI DONA MARIA SEGUNDA

POESIA RUI SOBRAL IIXCVI dona maria segunda já vi um tio dormir no jardimdo parque da minha cidadedeitado num banco vermelhode lado; coitado, sofria acho que isto é um poemapelo menos assim o sintopelo menos assim o sentequem o viu naquele dia Share on facebook Share on twitter Share on linkedin Share on pinterest Share […]

I | LXXXVIII VERMELHO SANGUE MÃE

POESIA RUI SOBRAL ILXXXVIII vermelho sangue mãe em pequena confundi cotão de uma meia vermelha com um pedaço de sangue do meu pé tenro e salutar chorei como uma criança como a criança que era a minha mãe apareceu do nada encontrou-me no bidé não me limpou as lágrimas acalmou-me o peito disse filha, isso […]

I | LXXXIX ZÉ POETA AMIGO

Friends Under The Rain, Leonid Afremov POESIA RUI SOBRAL ILXXXIX zé poeta amigo o Zé é o meu grande amigo o poeta dos poetas mas não tendo umbigo de que serve o poeta se nem de umbigoestá vestido talvez o Zé o tenha e eu só precise de escrever direito este poema importa é o […]

MAIO É UMA CANÇÃO

Fotografia de Gerald Bloncourt POESIA MAIO É UMA CANÇÃO BRUNO FIDALGO DE SOUSA maio é uma cançãode vozes em uníssonoem manifesto maio é uma cançãoa mais antiga partituraum cantar de solfejo maio é uma cançãotrova-se em briga por saúde, pão, habitação maio é uma cançãode desejo e desparazitação maio é um cançãoà desgarrada de um […]

I | XCIV PÁTRIA PAI

POESIA RUI SOBRAL IXCIV pátria pai o meu pai tem um quadro de uma fotografia dele quando tinha uns dezassete, dezoito anos e eu só penso escrever um livro sobre um assassino para fazer dessa fotografia a capa desse livro. o meu pai não é um assassino, é a minha pátria. Share on facebook Share […]

ABRIL É UM LUGAR

POESIA ABRIL É UM LUGAR BRUNO FIDALGO DE SOUSA abril é um lugaronde em todas as esquinasse oferecem flores abril é um lugarcomo são as casasque erguemos abril é um lugarde portas escancaradascomo braços cheios de nadaonde ninguém disparae em todas as carascomoção abril é um lugaruma taberna onde se brinda à terra da fraternidade […]

O QUE QUER QUE ENTERRES

25 de Abril, Mariana Cordeiro POESIA O QUE QUER QUE ENTERRES ANTÓNIO FOJO se pisas as sementes,se mentes,se travas o caminhoà primavera tudo isso um dia te espera a tirania do homem anónimoas obras predilectas – o que quer que enterresna superfície da esfera – o pesar do teu próximo,a voz dos profetas tudo isso […]

III | XIX POESIA VI

Daydreamer -Required Reading, Carl Larsson POESIA RUI SOBRAL IIIXIX poesia vi pouso baudelaire na beira da janela olho impaciente a janela embaciada entre as gotas da humidade vejo um carro lá fora a subir a encosta rumo ao nevoeiro, parece desviar-se destino à lua, abranda, encosta, uma porta aberta alguém se aproxima em passo acelerado […]

La Danse, Henri Matisse,1909 POESIA – CALÍ BOREAZ ainda sou muito nova para escrever este poemapercebo que a melancolia é um excesso— de espaço e de tempopercebo que sou dos cavalos que precisamnão do toque do chicote ou mesmo do sangue a rachar os ossosmas do próprio desaparecimento— para iniciar o trotepercebo e procuro seguir […]

III | XVII FOLHAS SECAS EM MIM

Still Life with a Basket of Potatoes, Surrounded by Autumn Leaves and Vegetables, Van Gogh POESIA RUI SOBRAL IIIXVII folhas secas em mim há lá noite mais escura do que aquela que vive em mim há lá morte mais crua do que a vida que vejo em mim há lá vida mais banal do que […]

II | LXXXVII O VENTO MUNDO MEU

POESIA RUI SOBRAL II LXXXVII o vento mundo meu pego nos comprimidospreparo-me para partirchamo os amigos quenunca foram meus aviso-os “vou partir”abraçam-me caladosou gritam silêncios em coroa memória é fraca dispo as meias e acamisola enrolo-meem mim e fico caladoaté a fome chegar pego nos compridospreparo-me para irembora mas não voude fome prefiro morrer os […]

III | XX MÃE SOPA

Madonna and Child with the Milk Soup, Gerard David, 1510 – 1515 POESIA RUI SOBRAL ​ III XX mãe sopa às vezes era a fomehoje ainda a sintomesmo não a tendopercebo agora quequem a fome fizervítimadela para sempre seráescravaservia-me cevadaou pãoou marmeladanão gostava de saladaachava-ademasiado molhadatroncos das árvores na sopahoje eu sei que eram outra […]

UM HOMEM PEQUENO

Sem título, Pedro Santos POESIA UM HOMEM PEQUENO ANTÓNIO FOJO Começámos com o silêncio como intérprete.O delicioso sol amarelo, a noite oponente da cor, a doce brisa que acaricia as flores infantes da Primavera com a sua mão colossal.Depois, uma janela que nega a brisa, dá emprego ao silêncio, jubila as coisas mortas da sala.A […]

II | I CARTAS MINHAS LEVADAS

POESIA RUI SOBRAL III cartas minhas levadas procuro revistas velhaspela rua em frente à minha casanão encontro umanem umamas encontro ventoe imagino-o a levar as revistase os jornaise os panfletose os livros para criançaspequenosvolto para dentrofecho a porta velhada minha varanda antigae sentado no sofáimagino as letras perdidasas páginas ilustradasos papéis esquecidosroubados pelo ventoagora alvo […]

III | XX CARDÍACO DILÚVIO

After the Rain Gloucester, by Paul Cornoyer POESIA RUI SOBRAL IIIXX cardíaco dilúvio desço a ruasozinhoespero-te nuapelo caminho onde tu estás amor?deixei-te nua, sozinhano caminhohá alguns anosfazia noitefazia frio onde tu estás amor?deixei-te nua, sozinha aquele tempero teuaquele tempero que era só teuque me elevava a ser mais euque me eleva a ser mais eu […]

ESTADO DE EMERGÊNCIA

POESIA ESTADO DE EMERGÊNCIA BRUNO FIDALGO DE SOUSA fizeram soar o alarme semencerrar os despejos. pediramcontenção a 4000 pessoas sem condição para isolamento social. a 300 mil recibos verdes sem opção de quarentena fiscal. restam máscaras que caem enquanto sobem os preços, marcas que lucram e os seus negócios ilesos,ácaros que se acumulam, vírus incansáveis […]

I – QUANDO O PORTUGUÊS FOR SILENCIADO

POESIA I ANTÓNIO FOJO Quando o português for silenciado, falaremos uma outra língua.Severa, severa, eternizada em estátua de cera à janela da cultura morta, faz odes à Grande Companhia Oriental.É o grande retorno.O Régio ser republicano é muito Alanis Morisette.Eu já vendi mais livros do que li.Para que quero o Queiroz?Eu vejo o mestre de […]

II | II HIGIENIZAÇÃO DE UM EX-AMANTE

Man Looking in a Mirror, Pablo Picasso (1969) POESIA RUI SOBRAL IIII higienização de um ex-amante pego na escovae começo a lavaros dentesprimeiros os da frenterapidamente de ladomovimentos circularesoutros aleatóriosabstratospara cima para baixoesquerda direitaa água em abundânciao cheiro a lavadoimprimo força à escovaà escova contra as gengivascuspo sanguerenovo a intensidadeo sangue escorre-me boca foranão penso […]

I | XC O CAFÉ ERA COM PÃO

POESIA RUI SOBRAL IXC o café era com pãoum sabor novoa cada pensamento hoje avó, avó, quando posso lancharà primeira não me ouviaà segunda, já vai, já vai café com pãoum sabor novoque não sei mais onde encontrar “Peasant Girl Drinking Her Coffee”, Camille Pisarro, 1881 Share on facebook Share on twitter Share on linkedin […]

III | XIX O COMPRIMIDO DA MANHÃ

Três Músicos, Pablo Picasso POESIA RUI SOBRAL IIIXIX o comprimido da manhãcostas retasombros descontraídosrespiração consciente uma duas três quatrorespirações profundasrecordo-me recordo-me de um filete de sangue nas gengivasmantenho a respiraçãorios nos olhos outra vezruminantes pensamentos agrestes na minha cabeçaleonard cohen e outras poesiasflanders amarante e leonard cohen e outras poesiase o adanowski o filho e […]

NUNCA A BOCA ME SOUBE TANTO A SILÊNCIO

Another Place, Antony Gormley, 1997 POESIA NUNCA A BOCA ME SOUBE TANTO A SILÊNCIO SARA MARTINS Derrama-se pelos olhos a mudez que não se diz. Nunca a boca me soube tanto a silêncio… São as coisas a saberem a coisas no final de tudo. Tudo, não deixa de ser uma só única coisa, Aquilo que […]

III | XX ASTRONAUTA AMOR

POESIA RUI SOBRAL IIIXX astronauta amor foi sempre o amor. é sempre o amor. nada é tão alto como o amor, nada é tão solene, nem severo; nada é tão agramatical, nem fértil nem terreno nem astronauta no espaço;nada é tão sereno ou obsceno como é o amor. foi sempre o amor, será sempre o amor. que nos […]

O TEU NOME

Egon Schiele, The Lovers, 1909 POESIA O TEU NOME BRUNO FIDALGO DE SOUSA a partir de “Esquimó“, de Fabrício Corsaletti ​ no outro dia, ouvi na televisão o teu nomeas notícias adoram noticiar o teu nomeeu gostava de nunca me esquecer do teu nomee gravar no meu diário o teu nomepara notificar o notário do […]

III | XIII VALA SÓ MINHA

Stabat Mater, Roberto Fiore POESIA RUI SOBRAL IIIXIII vala só minha o pó das cinzas minhasneste mundo derramadasoh vala triste que me tenssempre tão mortotão morto e preocupadode fracassar cansadode em alto mar, à vela, naufragadoa esbravejarde em alto mar, à vela, naufragadoa esbravejar, a esbravejarsempre tão mortosempre à esperaque a vala me tornemorto descansadomorto […]