II | XCVI DONA MARIA SEGUNDA

POESIA RUI SOBRAL IIXCVI dona maria segunda já vi um tio dormir no jardimdo parque da minha cidadedeitado num banco vermelhode lado; coitado, sofria acho que isto é um poemapelo menos assim o sintopelo menos assim o sentequem o viu naquele dia Share on facebook Share on twitter Share on linkedin Share on pinterest Share […]

MAIO É UMA CANÇÃO

Fotografia de Gerald Bloncourt POESIA MAIO É UMA CANÇÃO BRUNO FIDALGO DE SOUSA maio é uma cançãode vozes em uníssonoem manifesto maio é uma cançãoa mais antiga partituraum cantar de solfejo maio é uma cançãotrova-se em briga por saúde, pão, habitação maio é uma cançãode desejo e desparazitação maio é um cançãoà desgarrada de um […]

II | II NOITES DE DIAS EM VÃO

POESIA RUI SOBRAL II II noites de dias em vão impiedoso é este vazioque preenche as noitesas noites minhasnoites sozinho de angústias fartonoites perdidasde dias em buscade quem afinal sou eu impiedoso vazio queescravo me manténs a mima mim cru de ser mata-me de tiou mata-te de mimdisfarça-me para longede quem afinalsou eu Ilustração de […]

BEM SOUBE QUE A TERRA ME IRIA MENTIR E AMORAS

POESIA BEM SOUBE QUE A TERRA ME IRIA MENTIR E AMORAS ANA RITA RODRIGUES Bem soube que a terra me iria mentir.Mal sabe sempre que aterrar me mente. Ascendo, por fim:Estás alva e a tua íris mais azul que nunca. Enfio a linha na agulha, sim, rainha alva de luz; [ pedias-me,de quando em vez,“que […]

I | LXXXIX SETE E MEIA

Yellow House, Vincent Van Gogh, 1888 POESIA RUI SOBRAL ILXXXIX sete e meia o credo rezado ao fim da tardecabeceira da cama de solteiroDeladoze pessoas na pontevindas da casa divinarumo à casa amarelao sabor a cevada na minha bocamisturado com circus de sabores pastososdesde as três e meia; desde as três e meiada tardee o […]

MECÂNICA DO SONHO

POESIA MECÂNICA DO SONHO PEDRO VALE Trepa a liana o simbólico detetive da imaginação.Referência orgânica da língua, declaração de exílio, fonte abundante.Descida à prisão. Identidade e interesse do pensamento.Descoberta dos personagens: paradigma e destino.Um poeta articula e reverte o mundo de casa aberta, viva canção. (falsidade-embaraço, perfume-folclore, magia-projeção, poema-cheiro,figura-mãe, memória-ferrugem) Arrastamento, recorrência e inevitável esquecimento […]

ERA UMA VEZ NA TERRA UMA FLOR ARRANCADA

Night Blooming Cereus, de Ladianne Henderson, 2015 POESIA Era uma vez na Terra Uma flor arrancada ANA RITA RODRIGUES [ A Flor do Sonho, alvíssima, divina, Miraculosamente abriu em mim ]  Florbela Espanca    Pingava do céu,naquele final de tarde.Apesar disso,imperou o alcatrão, ao relento.Auscultadores pousados, microfones desligados;jingles trocados  pelo assentoda tua mota: adrenalina que o peito quase […]

Indulgência Plenária, de Alberto Pimenta

crítica INDULGÊNCIA PLENÁRIA ALBERTO PIMENTA, EDIÇÃO LÍNGUA MORTA [2018] Quando a poesia encontra a realidade e, irreparavelmente, a funde nessa sublimação natural das palavras, as histórias que se diziam factos reforçam-se, dilatam-se. A literatura é exímia no relato narrativo; a poesia é perita na desconstrução (e construção, que a arte tem por hábito ser uma […]