Interchange, Willem de Kooning, 1955

POESIA

SONHO - V

Engana-se um poeta
Como se manipula uma criança.

Basta uma folha em branco
Para ainda haver esperança
De dar cor(da) aos sonhos,
Medonhos, como o fado
Aprisionado em que leva
A sua vida enganada.

Cria mundos, cria-se.
E tinta basta escorrer
Para que Ele nunca se perca
E se derrame em sangue.

Vai trauteando uma canção de embalar:
Autodidata, puro astronauta,
Nunca cá está, quem ficará?

Não sabemos o que desenha.

Olha em frente e vê um homem poeta.
Mas pensa que não pode haver poetas adultos
Porque toda a criança é poema,
Toda a criança verseja,
E um adulto já esqueceu o sonho
Que de leve, em criança, o beija.

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Nuno Mina

Nuno Mina

Apaixonado por cinema e hip-hop, amante do Sport Lisboa e Benfica e apreciador profissional de cerveja.

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