Composition VII, Wassily Kandinsky

QUERIA INVENTAR UMA LINGUAGEM

Que ri a
I n v e n t a r
U m a  l i n g u a g e m ,
movimento perpétuo, e
Um culto e belo cogumelo encontrar.
Queria a raiz, o chão, a manta, o lar.

T e r
A do r ado o
Reto céu e toda
a fria doçura dispersa.

Falado co’ as montanhas
Através do tempo deslizado.
Feito cálculos, mudado o plano,
Descoberto o grande projeto de beleza.

Pintado a velocidade, guardado a palavra,
Honrado o som, imaginado o corpo inteiro, vivo.
Fechado o centro comercial instantâneo.

Limpo o ar e abraçado o bravo mundo.

Riscado a matéria, deslocado a linha,
Inventado uma fornada de cheiros,
Brinquedos, bebés não-humanos,
Um beijo na cabeça aguda,

A mão em peregrinação.

Corrido e esbarrado
N o e n i g m a d e
Metal sobre o
v e rde – a z u l
do triste
p  ó .

E
haver
p a r t i do
sem nada,
s e m  n a

d a .

*poema retirado do livro Azul Instantâneo, edição digital, 2020

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Pedro Vale

Pedro Vale

É professor de Português e Inglês. Azul Instantâneo é o seu primeiro livro.

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