Fotografia de Gerald Bloncourt

MAIO É UMA CANÇÃO

maio é uma canção
de vozes em uníssono
em manifesto

maio é uma canção
a mais antiga partitura
um cantar de solfejo

maio é uma canção
trova-se em briga
por saúde, pão, habitação

maio é uma canção
de desejo e
desparazitação

maio é um canção
à desgarrada
de um lado quem tem tudo
do outro
quem não tem nada

maio é uma canção
um longa-duração
à capela

maio é uma canção
que enche o peito
maio é uma canção
à luz da vela

maio é uma canção
e palco
sem solista
sem coro
onde os cantantes se multiplicam
aos falsos aplausos do capitalista

maio é uma canção
onde todas as vozes vibram

maio é uma canção
onde todos pisam a pista

maio é uma canção
onde não se faz eco dos
aplausos

maio é uma canção
de rosto lavado e
mãos calejadas
na garganta

pois quem canta, seu mal
espanta, em maio também
se canta à noite, canta-se tão bem
sem apupos

maio é uma canção
à desgarrada
entre o sol que nasce
e o sol posto

maio é uma canção
e quem canta maio
canta-o a gosto

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on pocket
Bruno Fidalgo de Sousa

Bruno Fidalgo de Sousa

Depois da dança, o lobo avança, encontra a curva.

PARTILHAR