JORGE DE LIMA

O “príncipe dos poetas”, como foi apelidado por um jornal da sua terra natal, foi um homem de vários ofícios. Além de médico, professor ou vereador, Jorge de Lima destacou-se nas artes plásticas e na literatura, estando a sua obra divida em estéticas distintas: o seu primeiro livro, de versos alexandrinos, acompanha o Movimento Parnasiano, mas depressa envereda pelo verso livre, mais Modernista, com uma temática muito social, e, mais tarde, convertendo-se ao Catolicismo, passa a Igreja e o místico a serem motivo dos seus poemas. “A invenção de Orfeu”, um longo poema de dez cantos, é a sua obra com maior reconhecimento. Faleceu em 1953.

POEMA À PÁTRIA

Ó grande
país
Tu aderiste também.
Teus urubus são inquietados
Nos teus ares altíssimos pelos aviões.
Nos teus céus os anjos já não podem solfejar,
Sufocados de fumaça, importunados pelo pessoal
Do Limbo.

Tu vais ficar irremediavelmente
Toda a América
Irremediavelmente gêmeo,
Irremediavelmente comum.

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DILÚVIO

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Uma revista digital de publicação literária e divulgação artística.

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