II
todas as nossas canções

sonhaste-me amor naquela tarde desamparada
de nós os dois sempre juntos lado a lado
enquanto nus bebíamos florestas inteiras
de amor sangue sangue amor e bebedeiras

escapaste-me sozinha no doce horizonte
de quilómetros inteiros a navegar sozinho
à esquerda o ribatejo à direita sanjoaninas
que de fé me perdia de fé me ganhava

e morreste no dia em que nos encontramos
lá longe no céu dos horizontes perdidos
e morremos juntos nessas noites sozinhos
noites em que morremos abraçados à deriva

e bebemos vinhos noites inteiras agarrados
a floreiras nossas dos nossos vizinhos
caídos no chão pelas portas e caleiras
vestidos cantamos flores pelas algibeiras

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Rui Sobral

Rui Sobral

Escritor que lê, escreve e medita. E repete todos os dias, não necessariamente na mesma ordem.

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