I
XCVI janelas abertas retrovisor o meu pai

do alto do meu quarto ouço carros lá fora
rodas nuas no alcatrão da chuva molhado
sinto a brisa das janelas abertas dos carros
e lembro-me de quando criança as abria
nos bancos de trás partilhados com a sofia
e o meu pai pelo retrovisor me seguia

do alto do meu quarto imagino-me novo
e o olhar dele no retrovisor também

nunca me senti tão abraçado na vida

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Rui Sobral

Rui Sobral

Escritor que lê, escreve e medita. E repete todos os dias, não necessariamente na mesma ordem.

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