POESIA

I

Quando o português for silenciado, falaremos uma outra língua.
Severa, severa, eternizada em estátua de cera à janela da cultura morta, faz odes à Grande Companhia Oriental.
É o grande retorno.
O Régio ser republicano é muito Alanis Morisette.
Eu já vendi mais livros do que li.
Para que quero o Queiroz?
Eu vejo o mestre de propaganda Ventura a recrutar
gente para recriar o Ultramar
E o Salazar à distância a ditar : “Isso não vai ser suficiente”
Também não preciso de uma enxada, já me doem as costas.
O António Aleixo não rima melhor que eu.
O Pessoa escrevia em pé, eu sou mais sensato.
A velha dos pombos atira pão para a minha mesa, mas eu returco: “Nem só de pão vive o Homem.”
“Mas tu não és Homem, és português”, suspira o Miguel Torga, auscultando a Igreja, procurando-lhe pulso.

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António Fojo

António Fojo

Activista anti social pela alta burguesia e empreendedorismo.

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