Yellow House, Vincent Van Gogh, 1888

I
LXXXIX sete e meia

o credo rezado ao fim da tarde
cabeceira da cama de solteiro
Dela
doze pessoas na ponte
vindas da casa divina
rumo à casa amarela
o sabor a cevada na minha boca
misturado com circus de sabores pastosos
desde as três e meia; desde as três e meia
da tarde
e o silêncio no papel de parede
no fundo bege cornucópias castanhas
dos outonos gastas; gastas do brio Dela
cristo na tela – lembro-me da lágrima
da lágrima de cristo na tela
no corredor apertado
nos pés meus de criança
o conforto da alcatifa vermelha
enquanto lá fora o escuro vingava o meu dia
dia que começava à hora de ir embora
dia que começava quando à porta Ela batia

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Rui Sobral

Rui Sobral

Escritor que lê, escreve e medita. E repete todos os dias, não necessariamente na mesma ordem.

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