poesia

dilúvio

um dilúvio é a única catástrofe
inconcebível pela atualidade. sabem-se
ser reais as ondas, o espreguiçar da Terra,
mas ainda se duvida das nuvens. ainda se crê
na metafísica, na fé, na tísica, no dormir de pé.

ainda não se afinou a pontaria. há embarcações
que cheguem para suportar quem reste – quem
sabe flutuar. acreditam que essa seja a única tragédia
à qual se escapam, na certa. o vício tornou o dilúvio algo
místico. a Humanidade inventou os guarda-chuvas prevendo
a intensidade da água. depois, deu-se nome e então foi signo e
significado.

ninguém teme um aguaceiro.

as pessoas só se abrigam para não molhar a roupa.

DILÚVIO, por Mariana Cordeiro
DILÚVIO, Mariana Cordeiro
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Bruno Fidalgo de Sousa

Bruno Fidalgo de Sousa

Depois da dança, o lobo avança, encontra a curva.

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