CLUBE DOS POETAS MORTOS

augusto dos anjos

Quando, em 1912, publicou a sua antalogia de poemas Eu, a crítica não foi a melhor. É que Augusto dos Anjos prima pela singularidade da sua voz poética, unindo um vocabulário científico e racional ao simbolismo da data, dissecando temas como a morte, a angústia e a solidão, deixando nos seus versos uma imagem de dor e uma certa vontade de desumanização e lógica. Hoje, mais de um século passado sobre a sua morte, os seus versos são um misto de estranheza e contemplação. Um dos – se não o mais – originais poetas da literatura brasileira, Augusto dos Anjos faleceu precocemente, aos 30 anos, há 105 anos atrás.

vandalismo

Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longínquas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.

Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.

Como os velhos Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos …

E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!

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DILÚVIO

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Uma revista digital de publicação literária e divulgação artística.

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